quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Obstáculos, saúde, ciência, espiritualidade

Longe de querer "arrebanhar", "catequizar" alguém com minhas ideias, eu sou apenas um ser humano em busca, procurando compreender e se compreender, esse pedacinho de vida pairando sobre uma esfera num espaço tão vasto e bonito quanto ainda desconhecido, e busco, e questiono, e questiono e volto a questionar feito a eterna criança arrebatada pela existência que sou: por quê? Por quê? Por quê? 

Não venho oferecer nenhuma certeza, até pela propriedade extremamente mutável e adaptável de tudo, desde paisagens que se transformam com o tempo até nossas próprias conexões neurais. Não trago respostas para oferecer. Me interessam mais as perguntas. E como é boa a liberdade implícita em cada questionamento, em cada especulação. A princípio me interessei por este vídeo pela possível ligação feita entre karma e transtornos mentais. Karma é um conceito extremamente familiar a quem segue alguma linha de pensamento oriental, ou a doutrina espírita Kardecista, por exemplo. Mas o que é karma senão um conjunto de consequências do caminho que cada um escolheu seguir, aliado à genética e a todo um conjunto de pensamentos de um indivíduo? E como dissociar matéria e pensamento sob essa ótica? Isso é biologia evolutiva. Isso é Darwin. Isso é Ciência. 

Eu não consigo conceber um processo evolutivo biológico que exclua um processo evolutivo paralelo da consciência e, em consequência, da espiritualidade de cada um. Outro dia comentei na postagem de uma amiga (inclusive, todo o meu respeito ao ateísmo dessa moça de inteligência e beleza inspiradoras) que sempre pensei nesse processo da consciência humana como um processo de "despertar" do Universo, como uma forma do próprio Universo de ir tomando consciência de si mesmo. Todo esse processo de karma de que Monja Coen fala nesse vídeo me faz pensar muito em tudo isso. Num processo muito bonito de evolução conjunta da matéria, da consciência, do pensamento e da espiritualidade, onde, no meu entendimento, cada um desses elementos leva ao outro. Nada contra os que negam esse último "layer" do processo. Apenas acredito que sem ele a vida perde toda uma outra "dimensão de beleza"* e de sentido. 

"Eu gosto muito das tradições de origem africana, que falam que nós temos os nossos ancestrais em nós. (...) Nós somos o resultado de todas as vidas anteriores, não só de algumas que você pode lembrar. Nós somos a vida da Terra. Antes da vida humana nós já estávamos aqui. Antes da ameba nós já estávamos aqui. A nossa ancestralidade é muito maior do que aquilo que você possa na sua mente criar como 'eu fui isto' ou 'eu fui aquilo', e 'por isto eu tenho este ou aquele karma.' " (Monja Coen) 


* Expressão de Milan Kundera em "A Insustentável Leveza do Ser", colocada no texto só pro namorado não me destituir do posto de "Miss Referência" no qual ele me colocou. ;p

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